segunda-feira, 11 de maio de 2009

TETRA e o "no name baby"


Caros amigos leitores:

Gostei muito das críticas que me foram lançadas no meu último "post". Por isso vou hoje escrever sobre algo mais alegre: O TETRA do FC Porto!!!! Para além de achar que é inteiramente merecido é fascinante observar e viver os movimentos em torno de uma causa, neste caso a do Porto. Recuando 5 anos no tempo e recordando outra grande victória do grande FC porto, jamais esquecerei naquele dia de Maio do ano de 2004 em Gelsenkirchen-Alemanha. Ainda estava eu emigrado, no meio de Alemães profissionalmente onde o único contacto com Portugal era mesmo em casa. E de repente, tomo o Combóio e vou ter a uma outra cidade a 300km de distância daquela onde me encontrava, e deparo-me com um cenário azul e branco onde o Português imperava como língua, onde o garrafão de vinho falava mais alto, onde uma causa Portuguesa se sobrepunha a uma causa Alemã invadindo o espaço deles:). Depois, um estádio cheio, ouvir o hino da Champions numa acústica espectacular, uma "guerra pacífica" e arrepiante e um jogo de futebol entusiasmante. Enfim, uma festa do princípio ao fim, tendo terminado da melhor forma possível: victória do Porto por 3-0 frente ao Mónaco. Eu parecia uma criança aos pulos na bancada central agarrado a um outro Portista (dos poucos que estavam nesta bancada) que chorava de alegria como uma criança ao ver os jogadores levantarem o troféu. Isto aconteceu mesmo por debaixo da "fúria" do Príncipe Alberto e a uns 15 metros do grande "Special One". No fim, até os adeptos Monegascos ajudaram à festa trocando lembranças connosco. Andei uma semana inteira a trautear o hino da Champions:)!!! Foi dos momentos mais felizes porque passei, talvez por ser emigrante e acreditem que nesta condição, tudo o que diga respeito à nossa pátria é vivido de forma triplamente intensa:)!


Já agora e como estamos com problemas em escolher um nome para o próximo ser inteligente no mundo (meu 2º filho) pedia ajuda aos leitores deste blogue que durante o próximo mês votem num dos nomes que estamos a equacionar. Estou a tentar convencer os outros seres inteligentes da minha família a optarem por aquele que vencer a votação:)


sábado, 4 de abril de 2009

Sorte na vida!!!!


Queridos leitores inteligentes:

Venho por este meio comunicar aos leitores inteligentes deste blog que desconfio seriamente da inteligência do autor do mesmo. Isto porque o mesmo defende o princípio de que: "é preferível não ter azar na vida do que não ter sorte"...
Efectivamente durante esta semana ouvi vezes sem conta a palavra "sorte" em afirmações como: "não tenho sorte na vida" "nao tenho sorte no dinheiro"...blá blá blá...! Ainda que perceba que a altura não é a mais indicada para optimistmos e excessos de euforia, e que o autor deste blog pertence à minoria que escapará ilesa aos efeitos da crise (pelo menos no ano de 2009), vejo o filme ao contrário. Parece-me, apesar de tudo, que se deve é pedir para não ter azar. A falência do capitalismo começa precisamente na base, ou seja, ninguém está bem com aquilo que têm, e atribui à falta de sorte a responsabilidade. Isto porque se queixam de levar uma vida baseada única e exclusivamente na casa, trabalho, com um carro, dois filhos, telemovel para cada elemento. Queixam-se porque têm que aturar os filhos qdo chegam a casa, casa essa que segundo eles é pequena demais.Queixam-se porque o trabalhador do lado ganha mais, porque não têm o carro que querem, porque o telemóvel não é topo de gama, e por isso vivem num mundo que um grande amigo baptizou como sendo de "tristemente acomodados". Aquilo que vão fazendo para manter a esperança acesa são apenas tentativas esporadicas através do euromilhoes de mudarem tudo e mais alguma coisa. Como não vão tendo "sorte"...queixam-se:). Então e se virmos o filme ao contrário. Se de repente ficarem sem o trabalho monótono e mal pago, ficando assim sem dinheiro para pagar a casa pequena, o carro utilitário, e o telemóvel do povo? Ah, e pelo há por vezes uma família desfeita...Ou seja, parece-me bem que poderá mudar rapidamente a escala das prioridades, passando então a lamentar-se pelo azar que tiveram, já nem se lembrando do tempo em que clamavam por sorte na vida "monótona e chata". Parece-me que a "crise" poderá ter trazido histórias como a que descrevo...E nem me atrevo a dar o exemplo das doenças graves que escolhem quem "atacar" como a bolinha na roleta. Aliás quanto mais vou andando parece-me é que a vida é uma roleta...mas de azar!!!... Por isso vou tendo muita sorte

Moral da história: toca a aproveitar aquilo que se têm e em vez de clamar por milagres, apostar no trabalho e na família que é o melhor caminho. Toca a aproveitar todos os momentos enquanto temos saúde, a casa pequena, o carro utilitário e a família. LEMA DE VIDA: É preferível não ter azar na vida do que não ter sorte:)

domingo, 1 de março de 2009

Dupla face do "pianista"...


Estimados (os poucos que restam) leitores inteligentes do meu Blog:


Depois de mais um interregno provocado pelo excesso de trabalho, cá estou eu de volta à convivencia com o mundo cibernautico:)...

Lamento informar os leitores intelectuais deste blog que ontem tive mais uma noite memorável no CLP com as "recordações do Festival da Canção ao piano". Estas minhas "escapadelas" com alguma aceitação para fora do "clássico" levam-me por vezes a pensar que deveria dedicar-me um pouco mais a sério a esta esta minha outra faceta. Se por um lado o "classico" enche-me a alma de forma mais intimista (e não faço sequer questão de mostrar aos outros), o certo é que as "escapadelas" enchem-me o ego pela reacção das pessoas. Nunca achei o público do clássico um público muito honesto consigo próprio. Incomoda-me pensar que "meia sala" não sabe muito bem o que está ali a fazer, nem tão pouco está disposta a fazer um esforço para tentar descobrir. Sou uma "criança" de palco e preciso de sentir algo por parte do público nem que seja menos positiva para ir evoluindo. Indiferença é que não. É por isso gosto de dialogar com o público seja numa vertente ou noutra. No clássico para preparar e contextualizar (de forma muito pouco intelectual) o que vão ouvir. Já nas "escapadelas" só mesmo para haver interacção. O público gosta de participar, passa a ser mais uma "tertúlia de amigos", existe mais hipótese de empatia entre o publico e nós e cria-se assim um momento bonito. Como gosto de momentos bonitos e principalmente de os criar para os outros vou-me "escapando"...:)


PS: Sir Aiva: Preciso da ajuda da Netforis para dar novo look ao Blog:) Tinhas razão. Eu pago-te Francesinha em troca:)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sokolov

Em cima podem ver um dos meus vídeos favoritos com um dos meus pianistas favoritos (e dos melhores de todos os tempos) Grigory Sokolov.

Um jornalista ter-lhe-á perguntado como é o resto da vida dele (para além do piano). Ele respondeu que acredita na reencarnação e que nesta vida, vive para tocar piano, por isso só toca piano. Tem as outras vidas para fazer as outras coisas...É um pouco louco mas explica porque é que ele toca assim...:)

Comentem por favor:)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Outra crise...


Estou agora a passar por algo que nunca me vi em anos e anos de vida (desde os meus 12 anos) e que não me está a fazer nada bem. Não tenho acesso diário a piano. Imaginem tirarem uma das coisas de que mais gostam que mais amam...! Costumo dizer aos meus alunos que quando se aprende um instrumento cria-se (com o estudo diário) uma relação com ele como numa relação tipo casamento: há momentos muito bons, menos bons, há alturas em que não o podemos ver, em que estamos horas com ele e não chega, em que o insultamos, etc etc etc, mas temos sempre a certeza em todas as alturas de crise que não podemos viver sem ele:)! E nunca há o perigo de uma "espiral para o abismo" como numa relação porque basta mudar de obra ou de estilo para mudar o estado de espírito. Houve um pianista que muito admiro que disse que ficaria muito mais facilmente sem comer do que sem piano...! No caso dele, acredito que seja possível. No meu, só quero passar este tempo o mais rápido possível...



PS: Este texto não foi escrito por causa do comentário da Uptown girl ao último post. Só falo mesmo do que sinto...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Crise de euros?


E depois de no mês passado ter tido dois bons momentos com o Risto (ler post de há um mês atrás) e depois um ano cheio de promessas no que à minha faceta de músico clássico diz respeito, acaba o ano e nenhuma dessas promessas foi concretizada...pelo menos até agora. Enquanto "ninguém me pega" vou-me divertindo por aqui e por ali a entreter o jet set e as pessoas inteligentes que visitam o clube literário...CONCERTOS PRECISAM-SE:)Deve ser da crise de euros que faz sobrar sempre para a cultura...ou será que é da minha incompetência???


Para piorar, gostava de saber o que se passa com os meus estimados alunos QUE NÃO ANDAM A ESTUDAR NADA?...AI AI AI, parece-me que a Guilhotina de notas vai funcionar já no Natal...!


PS: Gostava que o leitor inteligente anónimo que deixou um comentário não menos inteligente ao último post se identificasse...
PS2: Estou farto da monotonia visual deste blog...prometo resolver isso nas férias do Natal

domingo, 23 de novembro de 2008

O "Fronhas"


Se Marx soubesse no que isto se ia transformar reformularia concerteza a mais conhecida das suas citações: "A economia está na base da sociedade". Efectivamente o homem (ainda) pensa que está, mas se as pessoas têm cada vez mais porque andam cada vez pior consigo mesmas? Não deveria o bem estar material ao bem estar emocional? Talvez se comece lentamente a chegar à conclusão que se calhar, existem aspectos da nossa vida bem mais importantes que o dinheiro e o trabalhar única e exclusivamente com esse objectivo...o que ter uma vida melhor-segundo o conceito material de vida melhor.

Hoje vi o "Fronhas". Para quem não sabe foi o professor responsável pela famosa "mancha" no meu quase imaculado curriculo. No 11º ano lembrei-me de prevaricar em actos de indisciplina e sofri as consequências tendo sido convidado a ficar um dia em casa*. Em Português correcto: Fui Suspenso. O Professor teve toda a razão e só "abusávamos" na aula dele porque ele assim o permitia. Tinha tido uma vida rica e farta numa empresa, teve uma depressão, veio embora com reforma antecipada e estava a dar aulas, sozinho no mundo como chegou confessar perante os alunos. Tinha tido uma triste história de amor pelo meio e a sua meia idade tinha criado barreiras altas demais a que uma nova história viesse atrás dessa má experiência. Era o alvo apetecido para um grupo de adolescentes sedentos de derrubar barreiras. E fizemos o homem sofrer. Das aulas dele só me lebro do dia em que ele nos contou a história dele e os seus olhos tentavam disfarçar um certo embaraço. Lembro-me também de nessa altura já ter sentido uma sensação de arrependimento e querer fazer alguma coisa contra esta sensação (não fosse eu ter a mania que sou o Messias já nesta altura). Hoje e passados 17 anos desde esse famoso 11º ano voltei a vê-lo, sozinho com o seu café, o cigarro e a macieira numa esplanada da cidade do Porto. Deste quadro fazia também parte o mesmo olhar triste e embaraçado e o olhar em volta à procura sabe-se lá do quê. Talvez de uma cara conhecida, de alguém com quem partilhar mais um dia vazio. Nesta altura da sua vida deve ter também uma conta bancária que deverá estar bastante bem recheada. O problema é que só com essa conta pode ver tv à noite, só com ela pode viajar...e partilhar tudo aquilo que há e que deve ser patilhado...com ela e muito possivelmente com mais ninguém. Resolvi não ir ter com ele pois fiquei por momentos a reflectir naquilo que não desejaria alguma vez transformar-me mas que começa a ser coisa comum nos dias de hoje...

Não sei senhor Marx, mas com todo o respeito, acho que essa afirmação deve ser revista. Acho que o exemplo do Fronhas pode ser multiplicado por "n" e será que não existe uma outra "base"...?
*Por motivos óbvios não vou descrever os actos de indisciplina mas serviu-me de lição...
PS: A imagem refere-se ao liceu que frequentei: O Raínha Santa Isabel no Porto:)